domingo, 16 de junho de 2013

Situação de aprendizagem - O Avestruz - Mário Prata



                          Situação de Aprendizagem
Público alvo: 7º ano
Textos base: Relatos de experiência feitos pelos alunos, a crônica “O Avestruz” (Mário Prata), Leitura de imagens e o filme “Os Pinguins do Papai.”
• Tempo previsto: 8 aulas
Objetivo da aula: levar os estudantes a reconhecer as características estruturais  da tipologia relatar, identificando-as em diferentes gêneros, e estabelecer relações de semelhanças e diferenças  entre as tipologias “narrar” e “relatar”. Diálogo com  outras linguagens.
Ao final do processo, espera-se que cada alunos saiba distinguir relatos (orais e escritos) das narrativas ficcionais como as crônicas e percebam a importância que as diferentes linguagens exercem em  sua concepção de mundo.
• Conteúdos e temas: leitura e escrita de relatos e crônicas; leitura de imagens.
• Competências e habilidades: desenvolver o hábito da leitura de crônicas; criar hipóteses de sentido a partir de informações dadas pelo texto (verbal e não verbal); selecionar ideias e organizá-las para a produção oral e escrita de relatos, ler uma crônica em voz alta, considerando as entonações e pausas específicas desse gênero; distinguir o gênero relato do gênero crônica, levando em consideração a função social desses dois gêneros.
• Estratégias: aula interativa, com a participação dialógica do aluno; rodas de leitura; trabalhos em duplas e em grupos; uso de recursos visuais e pesquisa na internet.
• Recursos: livro didático; dicionário da Língua Portuguesa; textos de livros extraclasses; cartazes; desenho, internet.
Avaliação: produção escrita de relatos e narrativas, pesquisa na internet.
• Material: O professor deve preparar, antecipadamente, aquilo que vai ser usado nessa Situação de Aprendizagem, como:
a) Fotocópias do texto “Avestruz” ( Mario Prata) para serem distribuídas aos alunos;
b) Cartaz com cinco imagens em sequência, com duas pessoas conversando, mostrando apenas suas expressões e gestos. É importante que as imagens deixem claro para o leitor que a explanação do orador agrada ao ouvinte em determinados momentos, e em outros não, por causa das diferentes expressões que esse último deixa transparecer.
c) Foto ou ilustração de um avestruz. Charge sobre o tema. Filme.

Passo 1: Pedir aos alunos que escrevam um pequeno relato de no máximo quinze linhas, contando onde moram, suas rotinas diárias (a que horas acordam, aonde costumam ir, o que costumam fazer, quando almoçam, quando dormem, etc.). Depois peça que troquem os relatos com os colegas e o leiam. Registrem suas impressões de leitura: se gostaram do que leram, se identificaram algo de especial ou se esperavam alguma coisa a mais. Após tudo isso, questione, coletivamente, aos alunos sobre os relatos que escreveram, se eles os consideram importantes, em que circunstâncias os usariam e por quê.
Passo 2. Apresente o cartaz com aquelas imagens dos dois rapazes. Pergunte, agora:
a) Por que muitas vezes as pessoas apresentam reações como aquelas da figura?
b) Que reação o ouvinte parece demonstrar?
O professor, agora, solicitará aos alunos que comparem seus relatos com as imagens do cartaz.
Pergunte a seguir: Vocês se identificaram com alguma pessoa das imagens, ou seja, ficaram felizes, tristes ou entediados diante da leitura do relato do colega.
Nesse momento o professor revisa o conceito da tipologia relatar, apontando suas características e destacando o caráter comum e, às vezes sem graça desse gênero de  texto.  

 



Passo 3. Antes de distribuir o texto “O Avestruz”, faça  a ativação do conhecimento prévio: apresente o título. Pergunte depois:
Você conhece um avestruz? Alguém já viu um deles? Sabe como é? Como você imagina que seja? Descreva-o.
Passo 4. Distribua a cada aluno o texto “Avestruz” e peça que façam uma leitura silenciosa do mesmo. Depois será a vez do professor que o fará em voz alta para a classe.
Passo 5. Pesquisa na internet: Investigar com os alunos, os seguintes tópicos: Animais de estimação exóticos. Porte, alimentação, habitat natural. Mundo animal: comportamento. Mediante a este repertório, observar as atitudes e conhecimento quanto aos tópicos discutidos.
• Localização de informações: comparação de informações, generalizações e leitura silenciosa.












Texto 2.

O Avestruz
                                                                                                                  (Mário Prata)
O filho de uma grande amiga pediu de presente pelos seus dez anos, uma avestruz. Cismou fazer o quê? Moram em um apartamento em Higienópolis, São Paulo. E ela me mandou um e-mail dizendo que a culpa era minha. Sim, porque foi aqui ao lado de casa, em Floripa, que o menino conheceu os avestruzes. Tem uma plantação, digo, criação deles. Aquilo impressionou o garoto.
Culpado, fui até o local saber se eles vendiam filhotes de avestruzes. E se entregavam em domicílio.
E fiquei a observar a ave. Se é que podemos chamar aquilo de ave. O avestruz foi um erro da natureza, minha amiga. Na hora de criar a avestruz, Deus devia estar muito cansado e cometeu alguns erros. Deve ter criado primeiro o corpo, que se assemelha, em tamanho, a um boi. Sabe quanto pesa uma avestruz? Entre 100 e 160 quilos, fui logo avisando a minha amiga. E a altura pode chegar a quase três metros - 2,70 para ser mais exato.
Mas eu estava falando da sua criação por Deus. Colocou um pescoço que não tem absolutamente nada a ver com o corpo. Não devia mais ter estoque de asas no paraíso, então colocou asas atrofiadas. Talvez até sabiamente para evitar que saíssem voando em bandos por aí assustando as demais aves normais. Outra coisa que faltou foram dedos para os pés. Colocou apenas dois dedos em cada pé. Sacanagem, Senhor!
Depois olhou para sua obra e não sabia se era uma ave ou um camelo. Tanto é que, logo depois, Adão, dando os nomes a tudo que via pela frente, olhou para aquele ser meio abominável e disse: Struthio camelus australis. Que é o nome oficial da coisa. Acho que o struthio deve ser aquele pescoço fino em forma de salsicha.
Pois um animal daquele tamanho deveria botar ovos proporcionais ao seu corpo. Outro erro. É grande, mas nem tanto. E me explicava o criador que elas vivem até os 70 anos e se reproduzem plenamente até os 40, entrando depois na menopausa. Não têm, portanto, TPM. Uma fêmea de avestruz com TPM é perigosíssima!
Podem gerar de dez a trinta crias por ano, expliquei ao garoto, filho da minha amiga. Pois ele ficou mais animado ainda, imaginando aquele bando de avestruzes correndo pela sala do apartamento. Ele insiste, quer que eu leve um avestruz para ele de avião, no domingo. Não sabia mais o que fazer.
 Foi quando descobri que elas comem o que encontram pela frente, inclusive pedaços de ferro e madeiras. Joguinhos eletrônicos, por exemplo, máquina digital de fotografia, times inteiros de futebol de botão e, principalmente, chuteiras. E, se descuidar, um mouse de vez em quando cai bem.
Parece que convenci o garoto. Me telefonou e disse que troca o avestruz por cinco gaivotas e um urubu.
Pedi para a minha amiga levar o garoto a um psicólogo. Afinal, tenho mais o que fazer do que ser gigolô de avestruz.

Passo 6.
Nesse momento o professor deve retomar o conceito de relato e crônica, destacando as características principais de cada um. A seguir deve-se solicitar aos alunos que se possível apontem outras diferenças entre os dois textos.  Espera-se que os estudantes percebam o uso da imaginação e criatividade do segundo gênero.

 


Passo 7.
• Recuperação do contexto de produção: Quem escreveu o texto “O Avestruz”? Onde foi divulgado? Para quem? Qual a intenção?

INTERDISCIPLINARIDADE
Geografia: Espaço urbano e moradia. Grandes cidades. (apartamento, casa, cidade de Florianópolis, etc.)
Ciência: TPM, menopausa. Animais exóticos.
Matemática: Proporcionalidade.
História: O bairro Higienópolis em São Paulo. Ocupação, classe social, arquitetura, etc.



INTERTEXTUALIDADE
Percepção das relações de intertextualidade e das relações de interdiscursividade:
Apresentação do texto “Avestruz” em diálogo com outras linguagens como a charge e o filme: “Os Pinguins do Papai”.

• Sinopse do filme “Os Pinguins do Papai.
Jim Carrey é o Sr. Popper, um empreiteiro bem-sucedido que mora em Manhattan e que está prestes a se tornar sócio de uma importante empresa. Em sua vida luxuosa há espaço para os dois filhos, para a ex-mulher Amanda (Carla Gugino) e, depois de receber uma herança inusitada de seu falecido pai, ele tem de arrumar tempo para seis pinguins. Com o passar dos dias, algumas tentativas de se livrar dos animais e muitas situações cômicas, como transformar seu apartamento em um gelado viveiro, o Sr. Popper acaba se afeiçoando aos pinguins e compreende melhor a importância da família seja ela humana ou animal. Seus novos amigos têm nomes que correspondem às características de cada um, são eles: Capitão, Galã, Bicão, Lesado, Fedô e Matraca. Durante as filmagens de Os Pinguins do Papai, foram utilizados animais reais e efeitos de computação gráfica quando necessário. A comédia familiar foi baseada no livro infantil escrito por Richard e Florence Atwater, cuja primeira publicação foi feita em 1938. O livro é um clássico nos Estados Unidos e faz parte da grade literária de muitas escolas do país.

1. Os alunos deverão produzir, a partir da discussão, leitura do texto e registros, uma síntese com um posicionamento crítico a respeito de animais de estimação exóticos.
2. Levando em conta o texto “Avestruz” de Mário Prata os alunos devem produzir uma narrativa com o título: “Um estranho morando conosco”.


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