segunda-feira, 17 de junho de 2013

SA- No Aeroporto- Carlos Drummond de Andrade

Público alvo: 7º ano
Tempo previsto: 5 aulas
Conteúdos e temas: Leitura de enunciados, leitura de crônicas; interpretação e inferência; elaboração de questões de interpretação.
Objetivos:
O objetivo deste trabalho é despertar no aluno o prazer pela leitura de narrativas do gênero crônica, ampliando suas habilidades e competências leitoras e escritoras, a fim de que se tornem admiradores e produtores de textos criativos.

Competências e Habilidades:
Distinguir as marcas próprias do gênero; estabelecer relações entre o texto literário e o contexto social e político; desenvolver estratégias de leitura; fazer inferências sobre o tema ou assunto principal em um texto; estimular a percepção de outras linguagens; desenvolver a sensibilidade e a apreciação estéticas e/ou afetivas.

Estratégias:
Aula interativa, com a participação dialógica dos alunos; atividades realizadas em grupo. Rodas de leitura. Trabalhos em grupo.

Recursos:
Fotocópias do texto de Carlos Drummond de Andrade, “No aeroporto”, uso da internet, dicionários da Língua Portuguesa, livros didáticos. Filme

Avaliação:
A avaliação se fará de forma processual e contínua, no intuito de averiguar o desempenho de cada um. Serão considerados a participação, o interesse e a aplicação do estudante no cumprimento das atividades de leitura e discussão oral. Para concluir as atividades ainda se solicitará a produção de uma crônica, que será o objeto final dessa avaliação. O professor registrará a sequência das aulas e o desempenho dos alunos. 

Passo 1
Antes da leitura, fazer um levantamento do conhecimento prévio sobre o tema, a fim de identificar o que os estudantes conhecem sobre o mesmo. Para tanto, os alunos deverão responder as seguintes questões:

• Vocês já estiveram em um aeroporto?

• Alguém de vocês já viajou de avião?

• O que as pessoas fazem em um aeroporto?

• A partir do título “No aeroporto” é possível imaginar de que assunto o texto irá tratar?

Passo 2.
• Leitura silenciosa;
• Apreensão do significado dos termos desconhecidos através do uso do dicionário.


No aeroporto
Carlos Drummond de Andrade
Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões, pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas boas intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação.
Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho; tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores. Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas de sono - e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram respeitadas como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém nós mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis - porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade - e, até, que a nossa amizade lhes conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. Reprod. em: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 1107-1108.

Passo 3.
Após a leitura, o professor discutirá oralmente as seguintes questões:

• Que gênero textual pertence o texto? Por quê?

• Quantas personagens há no texto?
O narrador escreve em 1ª ou 3ª pessoa? Ele participa como personagem da história?
Atividade de pesquisa.
• O professor levará os alunos até a sala de informática para que estes pesquisem a biografia do autor. Caso contrário, poderá solicitar que o façam como trabalho de casa.
Observação: Como sabemos pelos dados biográficos de Carlos Drummond, o autor fala, nesta crônica, do seu primeiro neto, Pedro. Portanto trata-se do avô falando amorosamente do neto.
Passo 4.
• Questões para serem respondidas pelos alunos:
1. É possível, a partir do título, inferir de que assunto vai se tratar o texto?
2. Em que momento do texto você percebeu que o amigo, de que o autor fala, é uma       criança bem pequena?
2. Qual a característica do amigo Pedro que mais chama a atenção do cronista?

3. Nesta crônica há pontos em que o autor diz as coisas com certo humor. Identifique no texto tais passagens.
  
4. A viagem da criança faz o cronista refletir sobre sua própria condição humana. Que sentimento ele expressa no final do texto?

5. O autor usa diferentes formas para fazer referência à cor dos olhos da criança. Observe também que ele começa falando dos olhos e termina por referir-se ao olhar. Que efeito de sentido tem esse deslocamento na descrição que o autor faz de Pedro?

Transversalidade
• O texto permite que se trabalhe os valores familiares e o respeito ao próximo.
Passo 5.
O professor dividirá a classe em grupos  e solicitará  a cada um deles a produção de uma crônica. O trabalho final será socializado com a turma.

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