Público
alvo: 7º ano
Tempo
previsto: 5
aulas
Conteúdos
e temas: Leitura de enunciados,
leitura de crônicas; interpretação e inferência; elaboração de questões de
interpretação.
Objetivos:
O objetivo deste
trabalho é despertar no aluno o prazer pela leitura de narrativas do gênero
crônica, ampliando suas habilidades e competências leitoras e escritoras, a fim
de que se tornem admiradores e produtores de textos criativos.
Competências e Habilidades:
Distinguir as marcas
próprias do gênero; estabelecer relações entre o texto literário e o contexto
social e político; desenvolver estratégias de leitura; fazer inferências sobre
o tema ou assunto principal em um texto; estimular a percepção de outras
linguagens; desenvolver a sensibilidade e a apreciação estéticas e/ou afetivas.
Estratégias:
Aula interativa, com a participação
dialógica dos alunos; atividades realizadas em grupo. Rodas de leitura.
Trabalhos em grupo.
Recursos:
Fotocópias do texto de Carlos Drummond de Andrade,
“No aeroporto”, uso da internet, dicionários da Língua Portuguesa, livros
didáticos. Filme
Avaliação:
A avaliação se fará
de forma processual e contínua, no intuito de averiguar o desempenho de cada
um. Serão considerados a participação, o interesse e a aplicação do estudante
no cumprimento das atividades de leitura e discussão oral. Para concluir as
atividades ainda se solicitará a produção de uma crônica, que será o objeto final
dessa avaliação. O professor registrará a sequência das aulas e o desempenho
dos alunos.
Passo 1
Antes da leitura,
fazer um levantamento do conhecimento prévio sobre o tema, a fim de identificar
o que os estudantes conhecem sobre o mesmo. Para tanto, os alunos deverão
responder as seguintes questões:
• Vocês já estiveram
em um aeroporto?
• Alguém de vocês
já viajou de avião?
• O que as pessoas
fazem em um aeroporto?
• A partir do
título “No aeroporto” é possível imaginar de que assunto o texto irá tratar?
Passo 2.
• Leitura
silenciosa;
• Apreensão do significado
dos termos desconhecidos através do uso do dicionário.
No
aeroporto
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade
Viajou
meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu
quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos,
embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito
assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora Pedro seja extremamente
parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de pronunciar nenhuma. Quando
muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões, pelos quais se
faz entender admiravelmente. É o seu sistema.
Passou
dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores,
com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque
ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo
considerado sorriso especial, revelador de suas boas intenções para com o mundo
ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores,
vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da
falta de dentes), abonam a classificação.
Devo
dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho; tinha horários especiais,
comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais.
Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios
maiores. Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e
ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas de sono - e
lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram respeitadas
como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos erguer a voz para não acordá-lo.
Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém nós
mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de
Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas
também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta
dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro
não tinha importância.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis - porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão íntima de seus atos.
Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de óculos alheios (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pô-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis - porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão íntima de seus atos.
Poderia acusá-lo de
incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe
ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a
lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me
sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua
azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa
amizade - e, até, que a nossa amizade lhes conferia caráter necessário de prova;
ou gratuito, de poesia e jogo.
Viajou meu amigo Pedro. Fico
refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já
vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. Reprod. em:
Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973, p. 1107-1108.
Passo 3.
Após a leitura, o
professor discutirá oralmente as seguintes questões:
• Que gênero
textual pertence o texto? Por quê?
• Quantas
personagens há no texto?
•
O narrador escreve em 1ª ou 3ª pessoa? Ele participa como
personagem da história?
Atividade de pesquisa.
• O professor levará os alunos até a sala de
informática para que estes pesquisem a biografia do autor. Caso contrário,
poderá solicitar que o façam como trabalho de casa.
Observação: Como sabemos pelos dados biográficos
de Carlos Drummond, o autor fala, nesta crônica, do seu primeiro neto, Pedro. Portanto
trata-se do avô falando amorosamente do neto.
Passo 4.
• Questões para serem respondidas pelos alunos:
1. É possível, a partir do título, inferir de que
assunto vai se tratar o texto?
2. Em que momento do texto você percebeu que o amigo, de que o autor
fala, é uma criança bem pequena?
2. Qual a
característica do amigo Pedro que mais chama a atenção do cronista?
3. Nesta crônica há pontos
em que o autor diz as coisas com certo humor. Identifique no texto tais
passagens.
4. A viagem da criança faz o cronista refletir sobre sua própria condição
humana. Que sentimento ele expressa no final do texto?
5. O autor usa diferentes formas para fazer referência à cor dos olhos
da criança. Observe também que ele começa falando dos olhos e termina por
referir-se ao olhar. Que efeito de sentido tem esse deslocamento na descrição
que o autor faz de Pedro?
Transversalidade
• O texto
permite que se trabalhe os valores familiares e o respeito ao próximo.
Passo 5.
O professor
dividirá a classe em grupos e
solicitará a cada um deles a produção de
uma crônica. O trabalho final será socializado com a turma.
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